quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Fusca Azul

Amor é quando tu está andando sozinha na rua, vê um fusca azul passando e imediatamente fala em pensamento ~fusca azul~ e te imagina dando um soquinho no braço da pessoa.
Agradeço ao vizinho e proprietário do fusca azul que vive estacionado na frente do meu prédio.
Teu carro me proporciona uma rotina diária de soquinhos e risadas que enche os meus dias.
Transbordo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Questiona o vazio de uma vida em branco

Eu não sei se as pessoas veem o que eu vejo. Profundidade, textura, traço. Eu nem tenho certeza do que estou fazendo me atrevendo tanto.
Sem evocar, veio. De súbito. Talvez fosse um prenúncio do que os 31 me trariam.
No mesmo momento que sobrevivi a um naufrágio, ressurgi daquele afogamento com lápis, caneta nanquim e papel na mão.
Isso me toca e me fala sobre sobreviver a esse mundo. Aquela frase super clichê barra atual do Ferreira Goulart que diz que "a arte existe porque a vida não basta", é tããão verdade que doi.
Viver doi, os tempos estão perigosos, os planetas retrógrados, é 2018 e existe racismo, e tem Bolsonaro. Não dá pra sobreviver com pouco. Tem que ter muito. Muito.
Tem que ter afeto, troca, gentileza, carinho. Tem que ter gente te dizendo "teus desenhos estão lindos, publica!" Pessoas acreditando em pessoas, empoderando, encorajando. Se não.... se não a gente não sobrevive.
Uns não aguentam, vão. Mas outros ficam.
E a gente fica. A gente fica com essa dor, com esse vazio, é fluoxetina, é cerveja. E ainda doi.
É notificação, é boleto, é despertador, é rotina. Te cansa, te come, te consome, te mata. E ainda doi.
Uns não aguentam, vão. Mas outros ficam.
E a gente fica. Com o mesmo vazio e a mesma dor. Mas a gente escreve, fotografa, desenha, pinta, costura, grafita, canta, toca, dança, atua, chora.
E sobrevive. Porque a arte existe. Porque a vida não basta.
Hoje eu consigo sobreviver mais do que eu conseguia há 1 ano.
E agradeço.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

e se fôssemos menos, o que seríamos? se fôssemos mais, seríamos o bastante? e se não fôssemos?

Eu tenho novidades pra contar. Novidades e vontade de pegar o telefone e mandar um áudio contanto tudo, pedindo opinião, querendo ouvir o que tu acha de tudo isso.
Tenho novidades e isso significa muito pra mim. É novidade grande, das boas, que dá fôlego, que dá esperança de começar de novo.
Tenho novidades pra te contar e podia te ligar dizendo que estou indo aí pra gente conversar e beber um Cabernet. 
Levaria notícias boas, animação, algo pra comer e uma lingerie nova.
Eu tenho novidades pra te contar, mas tu colocou a minha mala do lado de fora da porta e eu fui embora. 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

a vida é basicamente sobre guardar na memória e depois esquecer

Ali da janela ela podia te ver. Passaram dias depois daquela noite fria pero no mucho. É que alma e afeto esquentam qualquer parada.
E ali da janela ela te via.
Só que aprendeu, aprendeu nos últimos três anos, que a vida é basicamente sobre guardar na memória e depois esquecer. Ela tinha guardado na memória uma cena numa esquina onde passava diariamente. Uma vez quando andava de cabeça baixa por ali deu de cara com o menino. Depois deu de cara com ele naquela pizzaria, mas dessa vez estavam sentados e comiam. Pelo que lembra era quatro queijos e calabresa.
A esquina, a pizzaria, aquele canteiro na frente da academia... Todos tinham sido lugares de encontros, marcados ou aleatórios. Aqueles lugares guardavam lembranças de dor de barriga, de frio na espinha, bochechas vermelhas e coração disparando. Abraços também tinham passado por lá.
Quando dessa vez não quiseram embarcar na sua barca, nem viver como um náufrago ou se afogar de amor, ela sabia que a imagem da janela, quanto menos esperasse, seria esquecida.
Quando diz que a vida é sobre guardar na memória e depois esquecer, é sobre isso que quer falar. Encontros que se desmancham na memória, passam como um sopro. Quando vê, já foi.
Meses depois ela passa pela esquina e mal lembra o que aconteceu ali.
Agora ela espera o momento que vai olhar pela janela e não ver mais nada além do seu reflexo, nua, descabelada, amparada por alguém que vai deixar memórias mais duradouras ali.