sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Disse Nando:
"uma pessoa só não é ninguém".
E ele tem razão. Como conseguir viver na plena solidão? A vontade de ficar só não mede os riscos nem consequências quando bate à porta.
E quem não tem medo da solidão?
Quem não tem está mentindo. Eu tenho.Prefiro morrer de inanição a ficar sozinha pro resto da vida.

sábado, 18 de agosto de 2007

A cool

A ambulância chegou antes do acidente. Parou e ficou esperando o carro vir e bater no muro da escola. Eles sempre chegavam antes, já percebendo o que aconteceria logo após. Lá de dentro, Clarice assistia a tudo com um chocolate à mão e uma percepção que era quase lógica naquele momento. Ela adorava assistir a resgates. Era um gosto inusitado a uma garota de 17 anos, loira, baixinha e com um sorriso bom. Talvez por isso mesmo ela gostava de coisas obscuras assim. Poderia ser também um jeito de fugir da futilidade que lhe perseguia. Aquelas princesinhas de salto alto que a perseguiam, por Clarice ser a filha do Sr. Gastor.
O carro veio com uma velocidade que não fez tanto estrago. De dentro dele saiu uma senhora chiquérrima e com uma cara de quem tinha mais uns 347 carros na garagem. Totalmente cortada pelos cacos de vidro que se quebraram com a batida, porém viva. Viva, andando e xingando os pobres buracos que a fizeram ir de encontro ao muro da escola.
Clarice via aquela situação com uma alegria escondida.
O sinal tocou e Clarice voltou para seus livros.
As coisas lá já não eram como antes. Clarice sempre foi a garota prodígia da escola, por isso estava cursando seu último ano naquele lugar, e sonhando com a tão querida viagem a Londres.
Ela era cool ! Escutava músicas que ninguém gostava, usava umas roupas bregas ao olhar daquelas outras meninas e era a única que conversava com Mar. Omar era assim conhecido por aqueles que se atreviam lhe dirigir alguma palavra e educação. Clarice era uma das poucas pessoas que isso faziam. Deveria ser odiada por todos por esse motivo. Mas Clarice era a filha do Sr.Gastor, e isso a fazia ser a mais legal das pessoas.
Ela odiara o fato dos outros se aproximarem dela pela sua genética, era totalmente contundente em suas opiniões por esse motivo.
A cool vinha de acoolta. Pois Clarice vivia com um livro embaixo do braço. Assim era vista por todos: a garota que exala cultura!
Gostava desse adjetivo (se é que isso pode ser chamado de adjetivo).
Um dia Clarice na biblioteca, pesquisando Tolstói, encontrou uma carta dentro de Ana Karênina, que começava assim:

"O tempo muda várias coisas. As árvores da rua, a cor do céu, a cor do meus cabelos, as minhas convicções... Mas uma coisa ele não muda: a saudade de tempos velhos."

Não viu nada de diferente e importante nela. A devolveu ao livro e continuou sua saga a Tolstói.

O Blé!

Senhor vai e volta ainda está deitado com a garrafa e o bilhete embaixo do braço.Enquanto isso na Cidade Freezer...

Prova de cálculo, o mínimo de concentração nas coisas e vontade alguma de sair de casa. Meu projeto de desenho ( pra terça) ainda está pela metade e o protótipo nem foi feito. A chuva parou depois de 24h sem sossego.
A semana passou tri rápido como de costume, porém mesmo sem estudar nada, tive a sensação de que valeu a pena. Valeu a pena minha "noitada" de terça feira, voltando pra casa a meia noite e tendo milhões de coisas pra fazer. Conhecer pessoas nova novas, mais uma vez, é motivo desde post. Conhecer coisas novas, também. Na verdade não a conheci ainda, mas a loucura anda tão perto que faço dela minha companhia.
Cada vez que escuto aquelas músicas, as mesmas músicas, tenho a sensação de que estou a escutar letras novas. Pra cada momento vivido, uma música cantada. E o legal é encontrar pessoas que sentem isso também.
O blé tem me feito companhia todos os dias, mas eu o deixarei lá, no cantinho dele sozinho, e diminuirei os nossos encontros semanais.
Estou com O Capote na bolsa há 2 semanas e não consigo terminá-lo, e olha que é daquela coleção da LPM, o pocket. Sim!!! Aquele minúsculo livro meudeuesdocéu!
Se aparecesse um gênio da lâmpada agora sabe o que eu o pediria??
Seis horas a mais no meu dia.

....do imbróglio que quiproquó.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Senhor vai e volta - Parte IV

"O tempo muda várias coisas. As árvores da rua, a cor do céu, a cor do meus cabelos, as minhas convicções... Mas uma coisa ele não muda: a saudade de tempos velhos. Até a saudade das dores que eu sentia, ele não muda.
Quando entrei alí e vi minha memória tão perto, em frente àquele balcão, senti uma coisa que pode ser chamada de medo. Logo me fiz disfarçar, tentei achar que era pura alucinação, mas não consegui. Olhei com olhos atentos, olhos de que nem mais tinham esperança alguma. Olhos esses, quiseram mirar o chão e eu deixei. Fixaram-se alí e dalí não saíram até eu sentir que o medo tinha ido embora por aquela porta.
A minha covardia te não lhe ter trocado palavra alguma foi tão grande quando a saudade que senti.
Desculpe-me. Mas ainda poderei ter a certeza de que o que vi não foi lembrança. Foi real. E isso foi a melhor coisa que aconteceu, passados 26 anos.
A saudade ainda existe.
Até logo."

Ela sempre escrevera e falara muito bem. Era professora de latim nos tempos bons.
Ele guardou aquele bilhete atrás do travesseiro depois de tê-lo lido e relido umas boas várias vezes. Ainda não podia acreditar em tudo que acontecia naquele momento. Assim como ela, ele sentia que sua vida havia parado há 26 anos. E naquele momento pode ver que a vida começara muito mais tarde para ele. A felicidade era infinita. Não podia se conter em si, ria sozinho. Abriu uma garrafa de uma bebida que só ele gostava entre as pessoas que conhecia. Era uma bebida muito forte, de gosto amargo, mas logo a sentiu descer na garganta feito água. Tinha vontade de sair na rua e parar a primeira pessoa que visse para contar sua história, um tanto quanto romântica, um tanto quanto trágica.
Mas ficou por ali deitado na cama, com a garrafa embaixo do braço e o bilhete embaixo do travesseiro.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Folhas

Eu adoro sair na rua e pisar em folhas secas. Aquele barulho de folhas "quebrando" me deixa tãããão feliz...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Senhor vai e volta - Parte III

O dia seguinte começara cedo para o senhor vai e volta. Na verdade o dia anterior nem tinha terminado. Aquela cena lhe contaminou o pensamento e não o deixou em paz, mesmo depois da brisa fria daquela manhã de setembro. A primavera ainda não havia aparecido e as árvores recém davam seu sinal de sobrevivência àquele gelado inverno.
Muitos anos tinham se passado após o fim do exílio. Ele não a via deste aquela época, achava que o tempo ou o governo a tivesse levado para sempre, mas na noite anterior tinha visto que nem sempre as coisas davam certo.
Ele lembrava exatamente da última vez que a tinha visto, da roupa que ela usava, das palavras ditas por Ela. Era tudo tão presente que estava difícil de acreditar que, depois de tantos anos e acontecimentos, Ela estava de volta alí, na mesa ao lado.
Senhor vai e volta pegou seu chapéu no cabide e saiu para a rua a conversar com os mesmos pássaros que por alí passavam, só que esta manhã estava com um clima diferente. A ida até o velho lugar já não era a mesma, a ansiedade que tomava conta se tornava perceptível a qualquer menino bonito que cruzava seu caminho. A vontade de reecontrá-la no mesmo lugar do dia anterior o fez chegar ao velho lugar muito mais rápido do que de costume. Quiçá ela estivesse alí, quietinha naquela mesma mesa, com a mesma companhia ao lado. Quiçá ela nem o tivesse visto.
Quando entrou, seus olhos bagunçaram todo o lugar a procura Dela. A mão tremia como nunca depois do exílio, a vontade que estava guardada lá dentro se tornava maior, e uma dor parecida com aperto tomava conta daquele senhor.
O acaso nunca tinha sido tão mal com ele e, claro, continuaira sendo agora também. Lá dentro poucas pessoas, muita conversa e uma música que não o agradava nenhum pouco. A realidade estava brincando com ele, e isso não o agradava.
Sentou-se, pediu o de sempre e sentiu uma mão tocar seu braço. Mas não assustou-se, virou para trás calmamente e viu uma mão segurar uma folha de papel dobrada umas 3 vezes. Levantou-se já imaginado o que leria quando chegasse em casa.
A brisa não havia aparecido hoje, assim como Ela.