sábado, 3 de novembro de 2007
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Sozinha e só!
Cheguei do show do Nei Lisboa agora. Ele é tão bom que me fez rir o tempo todo durante o show acústico e intimista dele. Mas cheguei em casa e bateu aquilo. Aham, aquilo mesmo que tinha largado do meu pé há meses. Aquela coisa de saber que tem nas mãos e saber que não tem. Hoje todo mundo resolveu me abandonar. Sozinha e só!
Morar "sozinha" pra maioria parece ser uma idéia ótima, morar sozinha ai ai. Só que não é legal quando bate esse tipo de coisa. Talvez eu sinta isso por sempre ter sido paparicada por amigos, conhecidos, mãe e pai. Mas não paparicada ao extremo, só aquela coisa de ter alguém do lado pra desligar a luz. E agora eu estou vivendo uma coisa que é bem o contrário disso. Sozinha há uma semana. Msn e afins não resolvem muito nessa hora. Ter que acordar sozinha, jantar sozinha, falar sozinha, não me deixa nenhum pouco entusiasmada. Nessas horas não adianta nem ousar e tentar ser auto-suficiente.
Já escrevi uma vez aqui que a solidão me assustava, mas não sabia que doia tanto.
Morar "sozinha" pra maioria parece ser uma idéia ótima, morar sozinha ai ai. Só que não é legal quando bate esse tipo de coisa. Talvez eu sinta isso por sempre ter sido paparicada por amigos, conhecidos, mãe e pai. Mas não paparicada ao extremo, só aquela coisa de ter alguém do lado pra desligar a luz. E agora eu estou vivendo uma coisa que é bem o contrário disso. Sozinha há uma semana. Msn e afins não resolvem muito nessa hora. Ter que acordar sozinha, jantar sozinha, falar sozinha, não me deixa nenhum pouco entusiasmada. Nessas horas não adianta nem ousar e tentar ser auto-suficiente.
Já escrevi uma vez aqui que a solidão me assustava, mas não sabia que doia tanto.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Na fila do cinema - Sobre Gabriela
Ir ao cinema sozinho não é um hábito padrão às pessoas normais. Era o que Gabriela achava. Também achava que não se encaixava no grupo das pessoas normais. Mas era tão normal que às vezes gostava de sair sozinha e fugir da rotina de blá bla blá do dia-a-dia. Achava também um tédio aquelas pessoas com cara feliz só por estarem acompanhadas para assistir um filme. Achava uó marcar encontros amorosos num shopping. Se fosse o primeiro, pior ainda.
Naquele dia ela tinha acordado com aquela típica vontade de pessoas normais de passar o dia só, sair na rua com óculos escuros e não olhar para os lados para não encontrar ninguém conhecido. Ela tinha acordado com uma ressaca fenomenal, passou a noite num bar tomando uma cerveja que não lembra o nome.
Gabriela sempre foi prolixa. Exercia essa função desde os tempos de grêmio estudantil do seu colégio. Mas era reservada quando o assunto era relacionamento.Com meninos ou meninas. Apesar de tanta expressão tinha poucos amigos, considerava totalmente antagônico conhecidos e amigos. Considerava-se uma pessoa feliz, mas não acreditava na felicidade completa de todo o mundo ao mesmo tempo. Defendia com muita euforia "sua" tese de que as pessoas nascem boas e ficam más ao longo da vida, das pessoas e dos acontecimentos. Defendia o governo de seu país com muito entusiasmo (como se aquilo pudesse ser chamado de governo). Porém tinha uma coisa que a deixava totalmente introspectiva e irreconhecível: o ar de Gabriel.
Naquele dia ela tinha acordado com aquela típica vontade de pessoas normais de passar o dia só, sair na rua com óculos escuros e não olhar para os lados para não encontrar ninguém conhecido. Ela tinha acordado com uma ressaca fenomenal, passou a noite num bar tomando uma cerveja que não lembra o nome.
Gabriela sempre foi prolixa. Exercia essa função desde os tempos de grêmio estudantil do seu colégio. Mas era reservada quando o assunto era relacionamento.Com meninos ou meninas. Apesar de tanta expressão tinha poucos amigos, considerava totalmente antagônico conhecidos e amigos. Considerava-se uma pessoa feliz, mas não acreditava na felicidade completa de todo o mundo ao mesmo tempo. Defendia com muita euforia "sua" tese de que as pessoas nascem boas e ficam más ao longo da vida, das pessoas e dos acontecimentos. Defendia o governo de seu país com muito entusiasmo (como se aquilo pudesse ser chamado de governo). Porém tinha uma coisa que a deixava totalmente introspectiva e irreconhecível: o ar de Gabriel.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Na fila do cinema
Ele era testemunha de tudo o que ela fazia. Ele sempre ficava olhando e pensando nada, porque ele não tinha como pensar. E se pensasse não chegaria a maiores conclusões senão de que ela era uma louca e não sabia o que fazia. Ele era tão desprovido de opiniões que na época do plebiscito do desarmamento só saiu de casa para ir ao Correio e justificar seu voto. É aquele típico brasileiro que sempre acha que sua opinião não importa e não faz diferença. O que ele pensa nunca condiz com o certo, seja lá o que for o certo.
Gabriela adorava discussões sobre política, meio ambiente e gosto musical. Estava sempre metida em botecos falando sobre os problemas sociais. Ele sempre a acompanhava, e sempre ficava só na cerveja. Se opinasse alguma coisa era para escolher a marca da tal, porque a única coisa que ele não admitia era tomar cerveja ruim. Bom, está ai uma coisa que ele tinha opinião, mas perto dos debates de direita e esquerda de Gabriela isso não era nada. Gabriela sabia disso, mas mesmo assim achava a companhia dele indispensável e agradável. Os outros sempre se perguntavam o que Gabriela vazia com aquele ser tão fútil ao lado dela.
Gabriela conhecera Gabriel na fila do cinema há exatos 2 anos e 2 meses. Ele era o último da fila quando Gabriela chegou. E um ser que usava roupas estranhas e largas resolveu furar a fila na frente de Gabriel, que só fez cara feia e não falou nada ao estranho garoto. Gabriela com todo seu ar de superioridade que lhe era praxe começou a xingar o garoto, até que este foi para o final da fila. Olhou para Gabriel e soltou:
- Têm pessoas que acham que são os donos do mundo!
- Aham.
Gabriela odiava ahans, mas sentiu no fundo que aquela pessoa sem opinião tinha um toque especial. Sentaram-se na antepenúltima fileira para assistir ao filme. Lado a lado.
Na verdade quem sentou naquele lugar foi Gabriel. Gabriela só o seguiu, pois sentiu que não poderia perdê-lo de vista. Nunca mais.
Ele sempre fora assim. Sempre foi atrás das coisas que lhe pareciam aprazíveis. Tinha um olhar mágico para pessoas mágicas. Foi assim que se conheceram.
Continua...
Gabriela adorava discussões sobre política, meio ambiente e gosto musical. Estava sempre metida em botecos falando sobre os problemas sociais. Ele sempre a acompanhava, e sempre ficava só na cerveja. Se opinasse alguma coisa era para escolher a marca da tal, porque a única coisa que ele não admitia era tomar cerveja ruim. Bom, está ai uma coisa que ele tinha opinião, mas perto dos debates de direita e esquerda de Gabriela isso não era nada. Gabriela sabia disso, mas mesmo assim achava a companhia dele indispensável e agradável. Os outros sempre se perguntavam o que Gabriela vazia com aquele ser tão fútil ao lado dela.
Gabriela conhecera Gabriel na fila do cinema há exatos 2 anos e 2 meses. Ele era o último da fila quando Gabriela chegou. E um ser que usava roupas estranhas e largas resolveu furar a fila na frente de Gabriel, que só fez cara feia e não falou nada ao estranho garoto. Gabriela com todo seu ar de superioridade que lhe era praxe começou a xingar o garoto, até que este foi para o final da fila. Olhou para Gabriel e soltou:
- Têm pessoas que acham que são os donos do mundo!
- Aham.
Gabriela odiava ahans, mas sentiu no fundo que aquela pessoa sem opinião tinha um toque especial. Sentaram-se na antepenúltima fileira para assistir ao filme. Lado a lado.
Na verdade quem sentou naquele lugar foi Gabriel. Gabriela só o seguiu, pois sentiu que não poderia perdê-lo de vista. Nunca mais.
Ele sempre fora assim. Sempre foi atrás das coisas que lhe pareciam aprazíveis. Tinha um olhar mágico para pessoas mágicas. Foi assim que se conheceram.
Continua...
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