domingo, 2 de maio de 2010

Tudo que se tem na vida...


...é o que se tem agora.
Depois de a maré tem baixado e eu ter entendido que o que resta é rir de tudo mesmo, eu vejo que só o que me resta agora é o que está acontecendo neste segundo e nada é acumulativo. Do segundo anterior eu nem lembro porque só o que ficam são as coisas boas, as verdades, as sinceridades. O engano é da vida, o errar é da vida, a falsidade eu não sei...
Nada daqui a gente leva, nem o que é ruim, muito menos o que é bom. O pensamento positivo tem uma força que a gente nem imagina, então positive-se.
Eu só vou curtir o meu cheirinho, a minha flor, a minha pequena. Só vou curtir o meu eterno segundo e que esse mundo melhore pra quando a Clari tiver que encará-lo, ou melhor, que ainda exista mundo.
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Aquela máxima de que a gente cria os filhos pro mundo e não pra gente teve sentido hoje. A autonomia vem cedo de mais. Um único ato da Clarice de pegar a colher da minha mão e comer sozinha me fez sentir um nada. É tudo muito rápido, muito estranho. Quero que passe tudo muito devagar, quero ter todas as lembranças, principalmente aquelas que nem uma câmera conseguem gravar. Aquela primeira mordidinha dela no meu queixo será inesquecível. Amor é pouco pra chamar. Mas enquanto não inventam uma palavra que signifique algo maior que amor eu vou dizendo e escrevendo essa mesma.
E só eu sei.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Hein?

É incrível quando há aqueles dias em que a gente acha que nada acontece na nossa vida e que não temos nada, quando ao mesmo tempo sabemos que temos tudo que precisamos.

Foram cinco dias tão bem aproveitados, de uma paz quase nunca antes vista, que quando acabou deu um choque, tipo o térmico. Mas a temperatura naquele momento não fazia a menor diferença. O foda é descobrir como é a minha paz e não poder vivê-la sempre.

Esses momentos quando a gente vê a vida dos outros dando certo e a nossa parada no mesmo lugar dão uma aflição gigante. Mas esse negócio de as coisas darem certo pros outros é relativo. O que é pra mim não é pra ti.
O que é pra mim?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ever

Estava pintando a unha e ouvindo Dead Fish. Muito under.
Depois que virei Mãe! é meio estranho fazer esse tipo de coisa, parece que tenho a obrigação de estar sempre em volta da Clarice, fazer as coisas só para ela. A vida antes dela parece artificial, parece que era um ensaio, um brincar de viver. Não era dona da minha situação. Era tudo faz de conta. Daí quando me pego fazendo esse tipo de coisa, pintar as unhas, com os pés pra cima, cantarolando, me sinto meio culpada.
A primeira vez que saí de casa sem a Clari, foi tipo "peraí, esqueci alguma coisa...." Esse desapego é complicadíssimo, é como se a Clarice fosse parte física de mim, sabe? É muito, mas muito mais que amor a palavra para descrever o sentimento. Eu já tentei um bocado de vezes achar uma palavra que descreva o que há entre mim e ela. Amor é apelido.
Agora eu sou dona de 2 situações. Ever.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

É azeda

O que dizer quando ninguém entende a gente? Papo de gente não-careta com problemas 'adolenscênticos', que a gente carrega pro resto da vida. Somos sozinhos no mundo, cara. Só a gente se entende mesmo. E não adianta nem aqueles diálogos eternos.
O grande problema é que o mundo inteiro quer a compreenção do mundo inteiro. Meus motivos não são os mesmos que os teus, nem meus anseios, nem a minha mais profunda e escondida verdade. A verdade não existe, porque a minha é diferente da tua.
E aí depois disso tudo, como juntar os trapos? Como conseguem viver eternos 50 anos juntos se há enormes diferenças? E como engolir aquele sapo do tamanho do céu, dizer 'sim, te perdoo meu amor' e virar pro lado e dormir sereno?
Cara, a vida é uma grande mentira em que a gente mesmo mergulha e fica lá se enganando. Eu acredito que ninguém, NiNGUÉM, nesse mundo fala 50% do que pensa, a gente fica lá devaneando, mas na hora de colocar pra fora, metade a gente engole de volta e finge que não pensou naquilo. É fato. Vejo por mim e pela leitura que faço de algumas pessoas que transparecem o que são pelos olhos.
Não é falsidade, inverdade eu fingimento, é simplesmente fato! É a vida, é azeda. Mas a gente engole.