"Férias são para isso: parar o tempo e rever lembranças que já estavam enfiadas na gaveta, mofando. Daí que as coisas que eu via antigamente pararam no tempo, ficaram lá atrás. Mas ainda tenho saudade dos contos.
"Mya era o que o braço mostrava: uma lâmpada cheia de ideias, ainda mais quando ficava ouvindo Nara Leão embaixo do lençol. Parecia que tudo mudava, que a lâmpada acendia. Nunca se conformou com seu cabelo quase branco e com uma altura que negava escadas, era esguia.
A calefação europeia fazia com que ela se esquentasse apenas com um lençol bordado há muitos anos a pedido de sua mãe. Eram os anos 90 e ouvia Nara em um walkman. Mas nada superava sua loucura por amar demais.
Mya era chamada de louca pois no seu último romance tinha invadido a casa do cara com uma cópia da chave original. E o pegou na cama... Sem mais.
Na situação nem Nara pode ajudá-la. Resolveu esconder a lâmpada tatuada que não servia mais e já que não lhe dava ideias, a lâmpada queimou.
Há muito compunha uma música, uns versos, sei lá. Mya tinha uma caidinha pelo o desabamento e isso lhe deu letras que derramavam lágrimas.
Porém, toda a fonte seca. Se tem início tem fim."
Continua (rá?)"
2011
segunda-feira, 8 de janeiro de 2018
sábado, 24 de junho de 2017
Trovoa
Minha cabeça trovoa
Sob meu peito te trovo
E me ajoelho
Destino canções
Pros teus olhos vermelhos
Flores vermelhas, vênus, bônus
Tudo o que me for possível
Ou menos
(mais ou menos)
Me entrego, me ofereço
Reverencio a sua beleza
Física também
Mas não só, não só
Graças a Deus você existe
Acho que eu teria um troço
Se você dissesse que não tem negócio
Te ergo com as mãos
Sorrio mal
Mal sorrio
Meus olhos fechados te acossam
Fora de órbita
Descabelada
Diva
Súbita, súbita?
Seja meiga, seja objetiva
Seja faca na manteiga
Pressinto como você chega, ligeira
Vasculhando a minha tralha
Bagunçando a minha cabeça
Metralhando na quinquilharia
Que carrego comigo
(clipes, grampos, tônicos)
Toda a dureza incrível do meu coração
Feita em pedaços?
Minha cabeça trovoa
Sob teu peito eu encontro
A calmaria e o silêncio
No portão da tua casa no bairro
Famílias assistem tv
(eu não)
Às 8 da noite
Eu fumo um marlboro na rua
Como todo mundo e como você
Eu sei
Quer dizer
Eu acho que sei?
Eu acho que sei?
Vou sossegado e assobio
E é porque eu confio
Em teu carinho
Mesmo que ele venha num tapa
E caminho a pé pelas ruas da lapa
(logo cedo, vapor? acredita?)
A fuligem me ofusca
A friagem me cutuca
Nascer do sol visto da vila ipojuca
O aço fino da navalha me faz a barba
O aço frio do metrô
O halo fino da tua presença
Sozinha na padoca em santa Cecília
No meio da tarde
Soluça, quer dizer, relembra
Batucando com as unhas coloridas
Na borda de um copo de cerveja
Resmunga quando vê
Que ganha chicletes de troco
Lembrando que um dia eu falei
"sabe, você tá tão chique
Meio freak, anos 70
Fique
Fica comigo
Se você for embora eu vou virar mendigo
Eu não sirvo pra nada
Não vou ser seu amigo
Fique
Fica comigo? "
Minha cabeça trovoa
Sob teu manto me entrego
Ao desafio de te dar um beijo
Entender o teu desejo
Me atirar pros teus peitos
Meu amor é imenso
Maior do que penso
É denso
Espessa nuvem de incenso
De perfume intenso
E o simples ato de cheirar-te
Me cheira a arte
Me leva a marte
A qualquer parte
A parte que ativa a química
Química?
Ignora a mímica
E a educação física
Só se abastece de mágica
Explode uma garrafa térmica
Por sobre as mesas de fórmica
De um salão de cerâmica
Onde soem os cânticos
Convicção monogâmica
Deslocamento atômico
Para um instante único
Em que o poema mais lírico
Se mostre a coisa mais lógica
E se abraçar com força descomunal
Até que os braços queiram arrebentar
Toda a defesa que hoje possa existir
E por acaso queira nos afastar
Esse momento tão pequeno e gentil
E a beleza que ele pode abrigar
Querida nunca mais se deixe esquecer
Onde nasce e mora todo o amor
Mauricio Pereira
Sob meu peito te trovo
E me ajoelho
Destino canções
Pros teus olhos vermelhos
Flores vermelhas, vênus, bônus
Tudo o que me for possível
Ou menos
(mais ou menos)
Me entrego, me ofereço
Reverencio a sua beleza
Física também
Mas não só, não só
Graças a Deus você existe
Acho que eu teria um troço
Se você dissesse que não tem negócio
Te ergo com as mãos
Sorrio mal
Mal sorrio
Meus olhos fechados te acossam
Fora de órbita
Descabelada
Diva
Súbita, súbita?
Seja meiga, seja objetiva
Seja faca na manteiga
Pressinto como você chega, ligeira
Vasculhando a minha tralha
Bagunçando a minha cabeça
Metralhando na quinquilharia
Que carrego comigo
(clipes, grampos, tônicos)
Toda a dureza incrível do meu coração
Feita em pedaços?
Minha cabeça trovoa
Sob teu peito eu encontro
A calmaria e o silêncio
No portão da tua casa no bairro
Famílias assistem tv
(eu não)
Às 8 da noite
Eu fumo um marlboro na rua
Como todo mundo e como você
Eu sei
Quer dizer
Eu acho que sei?
Eu acho que sei?
Vou sossegado e assobio
E é porque eu confio
Em teu carinho
Mesmo que ele venha num tapa
E caminho a pé pelas ruas da lapa
(logo cedo, vapor? acredita?)
A fuligem me ofusca
A friagem me cutuca
Nascer do sol visto da vila ipojuca
O aço fino da navalha me faz a barba
O aço frio do metrô
O halo fino da tua presença
Sozinha na padoca em santa Cecília
No meio da tarde
Soluça, quer dizer, relembra
Batucando com as unhas coloridas
Na borda de um copo de cerveja
Resmunga quando vê
Que ganha chicletes de troco
Lembrando que um dia eu falei
"sabe, você tá tão chique
Meio freak, anos 70
Fique
Fica comigo
Se você for embora eu vou virar mendigo
Eu não sirvo pra nada
Não vou ser seu amigo
Fique
Fica comigo? "
Minha cabeça trovoa
Sob teu manto me entrego
Ao desafio de te dar um beijo
Entender o teu desejo
Me atirar pros teus peitos
Meu amor é imenso
Maior do que penso
É denso
Espessa nuvem de incenso
De perfume intenso
E o simples ato de cheirar-te
Me cheira a arte
Me leva a marte
A qualquer parte
A parte que ativa a química
Química?
Ignora a mímica
E a educação física
Só se abastece de mágica
Explode uma garrafa térmica
Por sobre as mesas de fórmica
De um salão de cerâmica
Onde soem os cânticos
Convicção monogâmica
Deslocamento atômico
Para um instante único
Em que o poema mais lírico
Se mostre a coisa mais lógica
E se abraçar com força descomunal
Até que os braços queiram arrebentar
Toda a defesa que hoje possa existir
E por acaso queira nos afastar
Esse momento tão pequeno e gentil
E a beleza que ele pode abrigar
Querida nunca mais se deixe esquecer
Onde nasce e mora todo o amor
Mauricio Pereira
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
"Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não, eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares
Vou fingindo ser o que já sou, fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar, eu vou
É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
De que vale ser aqui
De que vale ser aqui onde a vida é de sonhar
Liberdade"
Daqui não, eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares
Vou fingindo ser o que já sou, fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar, eu vou
É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
De que vale ser aqui
De que vale ser aqui onde a vida é de sonhar
Liberdade"
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Quais são as cores e as coisas?
Eu queria ver no escuro do mundo.
Sobre a montanha russa que a ansiedade adora brincar.
Agora ela está parada lá na curva mais alta. Quase de cabeça para baixo.
Quando tudo estiver em silêncio e quando o coração bater bem devagar.
Quando a respiração for quase imperceptível.
Mantenha-se como está.
E se agarre ao que for preciso para que esse momento continue e dure.
Sossegue.
Sobre a montanha russa que a ansiedade adora brincar.
Agora ela está parada lá na curva mais alta. Quase de cabeça para baixo.
Quando tudo estiver em silêncio e quando o coração bater bem devagar.
Quando a respiração for quase imperceptível.
Mantenha-se como está.
E se agarre ao que for preciso para que esse momento continue e dure.
Sossegue.
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