terça-feira, 12 de junho de 2018

Platanus

Te vi caminhando na rua com uma folha de plátano na mão. Era outono, mas fazia calor.
Apressei o passo na tentativa de te alcançar, de fazer com que tu me visse também, talvez eu poderia chegar até ti e dizer tudo que sempre tive medo.
Aquele dia em que tu te abriu pra mim eu silenciei. Mas consegui dizer que não era nada daquilo, era viagem da tua cabeça.
-Deixa de ser besta. Não quero que ninguém sinta saudade de mim, não quero ninguém gostando de mim. Vamos ficar de boa.
Eu disse querendo dizer, mas eu disse com medo.
Quando eu te vi caminhando com a folha de plátano na mão eu quis te puxar pelo braço e falar que eu sentia muito. Quis dizer que sentia saudade e que as plantas lá de casa já estavam morrendo sem a tua presença. Acender o Palo Santo já não tinha mais graça, aliás, nem sei onde ele foi parar. A fumaça se dissipava rápido, o ar não purificava. O silêncio gritava.
Quando te vi caminhando com a folha de plátano na mão pensei em correr e te convidar para ir à praia comigo. Lá resolveríamos todos os nossos problemas, a água do mar ia purificar. Saravá!
Ou poderia te convidar pra almoçar naquele chinês da primeira vez, lembra? Ou a gente pegava a estrada, atolava os pés na lama, no meio do mato e então lá, eu conseguiria te dizer que me sufoquei com as palavras que eu não te falei. Que o tempo passou, a barca passou e eu não embarquei de besta que eu sou.
E eu estava ali, cheio de planos, cheio de vontade, e corri!

Te vi caminhando na rua com uma folha de plátano na mão.
Mas não te alcancei.






segunda-feira, 4 de junho de 2018

A mala

Este é um conto baseado em fatos reais, mas qualquer semelhança com situações que te pareçam familiares será mera coincidência, afinal, quem nunca precisou partir sem deixar uma mala pra trás.
A história começa quando me disseram:
- Segue adiante!
Então, fui tentar seguir em frente. Só que eu estava carregando uma mala muito pesada, com coisas importantíssimas dentro. Como eu ia seguir em frente sem ela? Mas como eu ia levá-la se não conseguia nem tirá-la do chão? Gente, que sufoco! Que desespero! Que grande dúvida!
Pensei em arrastar minha pequena grande mala, mas se eu arrastasse iria arranhar ou até rasgar. Ia dar certo por alguns passos, mas no meio do caminho ela se desmancharia sob meus pés.
Pensei em carregar nas costas, quem carrega uma criança, carrega uma mala, afinal....
Só que isso ia me dar uma dor gigante na lombar e uma dor de cabeça daquelas de deitar no escuro e ficar.
Aquela mala valia tanto a pena... Ela era tão sensacional, tinha tanta coisa lá dentro. Era cada garrafa de vinho. Cada filme, cada foto dos últimos  dois meses.... Não passava pela minha cabeça deixá-la pra trás. E era pior. Eu não queria deixá-la. Como? Como eu ia viver sem as garrafas de vinho? E o palo santo que estava lá dentro?
Mala, vinho, plantas, palo... eu posso conseguir tudo isso. Vou dar uns 7 ou 15 passos e encontro outra no caminho. Quiçá no sexto passo eu já tenha esquecido da mala lá atrás, pensei...
E fui seguir adiante, conforme recomendações.
Dizem que quando nos despedimos de alguém que vai entrar num ônibus ou numa sala de embarque, a pessoa que está indo embora não pode olhar para trás. Depois do beijo de despedida ela deve seguir em frente sem aquele tchauzinho, sem hesitar, sem parar e olhar para quem ficou. (E a pessoa que ficou ali parada vendo a cena maistristedomundo deve virar as costas e seguir seu rumo imediatamente, se não a cena fica mais triste que aquele samba do Noel).
Adivinha o que eu fiz?
Eu olhei para trás. Eu olhei para a mala.
Lembrei de tudo que tinha ficado lá. Será que não tinha jeito mesmo?
Nessa hora eu lembrei de quem tinha me falado ~segue adiante~
Quem era essa pessoa? O que ela sabe da minha vida? Ela nem sabe que eu já fui atropelada por uma bicicleta enquanto segurava garrafas de cerveja, não sabe que eu me perdi dos meus pais em Tramandaí quando tinha uns 5 anos. E não sabe, e nem imagina, que é ela quem deixa a mala mais pesada, porque ela está lá dentro, junto com o vinho, as fotos, o palo e as plantas.
Como eu vou seguir adiante?

(...)



sábado, 3 de março de 2018

Molho Pesto

Recebi muitas mensagens dos meus seguidores (risos) sobre essa postagem. Várias pessoas reagiram com corações, palmas, sorrisos. E não foi pelo molho (deuso) pesto, foi pela parte do amor próprio.
A verdade é que levei quase 2 anos para aprender a ficar sozinha, cozinhar só pra mim e ficar feliz dentro desse apartamento. Eu chorava, eu precisava dar rolê de sexta à domingo porque eu não suportava a solidão. Essa sofrência não era pela pessoa que não estava mais aqui, era pela pessoa que tinha ficado e precisava aprender a se amar. Separação não é só sobre relações a 2, é muito mais um processo de autoconhecimento e aceitação da vida a 1, eu e eu mesmo.
Depois de altos e baixos (mais baixos do que altos), eu descobri que a minha melhor versão é quando estou sozinha e o melhor rango é aquele que eu faço com amor, amor próprio.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Desconstruir o mito do Natal e Ano Novo

Coloquei todas as forças, fiz reza braba e acreditei, ACREDITEI, que depois do natal, ano novo e férias tudo voltaria ao seu lugar.
Ingênua.
Às vezes temos que acreditar no que não existe pra ver se de lá saem forças pra sobreviver.
E se enganar. Preferir que o futuro organize tudo. Tirar o peso das nossas costas e colocá-lo lá na frente.
Erro estúpido.


~é cada texto velho que faz sentido hoje, bixo~